
O marketing de influência nos EUA entrou de vez no radar de agências brasileiras que atuam com creators, moda, beleza, lifestyle e branded content. Mais do que uma tendência passageira, esse movimento revela uma mudança estratégica: empresas da creator economy brasileira estão buscando espaço em um dos mercados mais competitivos e valiosos do mundo.
Segundo o Creator Economy Ad Spend & Strategy Report 2025, do IAB, os investimentos em publicidade com creators nos Estados Unidos devem chegar a US$ 44 bilhões em 2026. O dado ajuda a explicar por que agências brasileiras começam a olhar para fora não apenas como vitrine, mas como possibilidade real de expansão de negócios.
Nesse cenário, a criação da Jacobs USA, braço norte-americano da Jacobs Comunicação, ilustra um movimento mais amplo: o de agências que enxergam nos Estados Unidos uma oportunidade para conectar creators brasileiros, audiências multiculturais e marcas globais.
Marketing de influência nos EUA cresce como canal estratégico
Durante muito tempo, o marketing de influência foi visto por algumas empresas como uma ação complementar dentro do planejamento de comunicação. No entanto, esse cenário mudou. Hoje, creators são tratados como canais de mídia, construção de comunidade, reputação e conversão.
O mercado norte-americano concentra algumas das maiores marcas anunciantes do mundo e segue como referência em plataformas digitais, social commerce, conteúdo patrocinado e inovação em mídia. Por isso, para agências brasileiras, estar nos Estados Unidos significa acessar um ambiente mais maduro, competitivo e orientado por performance.
Além disso, a creator economy deixou de ser apenas uma disputa por alcance. Marcas buscam creators capazes de gerar confiança, identificação e diálogo real com comunidades específicas. Esse é justamente um ponto em que o Brasil pode ter vantagem competitiva.
O diferencial brasileiro: conexão, comunidade e identificação
O Brasil se consolidou como um dos países mais relevantes do mundo em influência digital. Segundo relatório da HypeAuditor sobre marketing de influência no Brasil, o país aparece como o segundo maior mercado de influenciadores do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Esse dado importa porque o mercado brasileiro desenvolveu uma característica valiosa: a capacidade de criar proximidade emocional entre creator e audiência. Em outras palavras, muitos influenciadores brasileiros dominam uma comunicação menos engessada, mais relacional e baseada em narrativa pessoal.
Para marcas, essa habilidade pode ser decisiva. Afinal, consumidores estão cada vez mais atentos à autenticidade das campanhas. Nesse sentido, a presença digital de creators não depende apenas de números, mas de reputação, linguagem, consistência e comunidade. Esse tema também se conecta diretamente ao debate sobre autoestima na era digital, imagem pessoal e valor percebido em ambientes conectados.
Moda, beleza e lifestyle puxam oportunidades para creators brasileiros
A atuação da Jacobs Comunicação em moda, beleza e lifestyle mostra como alguns segmentos podem acelerar a internacionalização de agências brasileiras. Esses mercados dependem fortemente de imagem, desejo, confiança e identificação cultural.
No mercado de luxo, por exemplo, a conexão emocional vem ganhando peso na decisão de consumo. Um estudo da McKinsey & Company em parceria com The Business of Fashion aponta que, nos Estados Unidos e na China, a conexão emocional já aparece como um dos principais fatores de desejo por marcas de luxo, à frente de marcadores tradicionais como herança, exclusividade e qualidade artesanal.
Isso abre uma oportunidade interessante para creators brasileiros. Em vez de competir apenas por audiência, eles podem atuar como ponte cultural, especialmente em campanhas que exigem naturalidade, diversidade e leitura sensível de comportamento.
No caso de beleza e skincare, por exemplo, uma marca norte-americana pode se beneficiar de creators com repertório em clima tropical, rotinas de autocuidado e hábitos de consumo já comuns no Brasil. Dessa forma, a campanha ganha contexto antes mesmo de chegar ao público norte-americano em larga escala.
Expansão internacional exige estratégia, não apenas presença
Apesar do potencial, entrar no mercado dos Estados Unidos exige mais do que abrir uma operação internacional. Agências brasileiras precisam entender regras comerciais, contratos, métricas, compliance, diferenças culturais e expectativas das marcas.
No ambiente norte-americano, transparência também é essencial. A Federal Trade Commission orienta que influenciadores e marcas deixem clara qualquer relação comercial, patrocínio, presente ou vínculo relevante em conteúdos de recomendação. Portanto, agências que desejam atuar nos EUA precisam tratar governança, briefing, disclosure e reputação como parte central da operação.
Além disso, a expansão precisa ter posicionamento claro. Não basta levar creators brasileiros para campanhas globais; é necessário mostrar por que esses creators agregam valor, quais comunidades alcançam, que tipo de narrativa dominam e como podem contribuir para marcas que desejam conversar com públicos multiculturais.
Esse ponto também conversa com o fortalecimento do empreendedorismo no Brasil, especialmente quando negócios criativos passam a competir em mercados internacionais e gerar impacto econômico para além das fronteiras nacionais.
O que o caso Jacobs USA sinaliza para o mercado
A Jacobs USA nasce em um momento em que marcas buscam campanhas menos locais e mais conectadas a diferentes culturas. Com um casting de creators que já se relacionam com marcas globais como Nike, L’Oréal, Budweiser, M.A.C e Maybelline, a operação sinaliza uma aposta em influência multicultural.
Mais do que representar uma única agência, o movimento aponta para uma oportunidade maior: agências brasileiras podem exportar inteligência criativa, leitura de comunidade e capacidade de engajamento.
Para o empreendedor brasileiro da economia criativa, esse cenário deixa uma mensagem importante. A internacionalização não precisa começar apenas por grandes estruturas. Ela pode começar por posicionamento, rede de contatos, portfólio consistente, domínio de nicho e clareza sobre o valor que se entrega.
Assim como artistas e profissionais criativos precisam planejar sua presença digital com estratégia, agências de influência também precisam transformar conteúdo em ativo de mercado. Esse raciocínio se aproxima das estratégias de marketing digital para artistas, nas quais narrativa, comunidade e distribuição caminham juntas.
Por que os EUA devem seguir no radar das agências brasileiras
Os Estados Unidos devem continuar sendo prioridade para agências brasileiras de marketing de influência por três razões principais: volume de investimento, maturidade do mercado e demanda por creators capazes de dialogar com audiências diversas.
Ao mesmo tempo, o Brasil tem uma vantagem importante: experiência em criar conexão emocional em ambientes digitais altamente participativos. Isso pode ser especialmente valioso em um momento em que marcas globais buscam autenticidade, diversidade e relevância cultural.
Portanto, mirar os EUA não significa apenas buscar contratos maiores. Significa entender que a creator economy está se tornando uma indústria cada vez mais internacional, profissionalizada e orientada por reputação.
Para agências brasileiras, a oportunidade existe. Mas ela exige preparo, diferenciação e visão empreendedora. Quem conseguir unir criatividade brasileira, governança profissional e leitura global de mercado poderá transformar influência em uma verdadeira ponte de negócios entre Brasil e Estados Unidos.
Perguntas frequentes sobre marketing de influência nos EUA
Por que agências brasileiras de marketing de influência estão mirando os EUA?
Porque os Estados Unidos concentram um dos maiores mercados de investimento em creator economy do mundo e oferecem oportunidades para campanhas globais, creators multiculturais e agências com visão internacional.
O Brasil tem força no mercado de influenciadores?
Sim. O Brasil é apontado pela HypeAuditor como o segundo maior mercado de influenciadores do mundo, o que reforça a relevância do país na creator economy.
Qual é o diferencial dos creators brasileiros?
O principal diferencial está na capacidade de criar identificação, proximidade emocional, narrativa espontânea e senso de comunidade com a audiência.
Quais setores podem se beneficiar dessa expansão?
Moda, beleza, lifestyle, luxo, entretenimento, tecnologia, consumo e marcas que desejam dialogar com públicos diversos podem se beneficiar.
O que uma agência precisa considerar antes de atuar nos EUA?
É importante considerar posicionamento, contratos, compliance, disclosure publicitário, adaptação cultural, métricas de performance e reputação dos creators.





