
O impacto do cuidado familiar na carreira raramente aparece nos currículos, nos planejamentos profissionais ou nas conversas sobre crescimento. Ainda assim, cuidar de uma pessoa amada pode mudar cargos, rendimentos, rotinas e projetos de vida de uma família inteira.
Foi o que aconteceu com o engenheiro civil, gestor de processos corporativos e empresário Clovis Felisberto Salomon. Acostumado a liderar projetos e equipes, ele precisou reorganizar sua trajetória depois que sua mãe, Olga Felisberto Salomon, sofreu uma queda doméstica e passou a necessitar de cuidados permanentes.
Mais do que adaptar horários, Clovis deixou uma posição executiva e passou a trabalhar como consultor independente. Dessa forma, conquistou a flexibilidade necessária para acompanhar consultas, tratamentos, adaptações da residência e as decisões diárias do cuidado domiciliar.
A experiência deu origem ao livro Todo tempo é para viver, que Clovis lançará no dia 7 de agosto de 2026, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro.
Como o impacto do cuidado familiar na carreira muda decisões profissionais
O Brasil vive um processo acelerado de envelhecimento. Segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, o país já tinha mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais.
Nesse contexto, cresce uma pergunta que, durante muito tempo, permaneceu restrita ao ambiente doméstico: quem cuidará de quem cuidou da gente?
Em muitas famílias, a resposta surge apenas depois de um acidente, de um diagnóstico ou da perda de autonomia de uma pessoa próxima. A partir desse momento, filhos, cônjuges e irmãos precisam dividir tarefas, rever compromissos e tomar decisões profissionais que não estavam previstas.
Uma pesquisa sobre o equilíbrio entre trabalho e família entre cuidadores de idosos mostra que profissionais podem enfrentar conflitos de papéis quando tentam conciliar as exigências do emprego com o cuidado de familiares.
Portanto, o cuidado não representa apenas uma questão afetiva ou médica. Ele também envolve carreira, gestão de tempo, renda, planejamento financeiro e saúde emocional.
Quando um executivo reorganiza a vida para estar presente
No caso de Clovis, a decisão de mudar a carreira surgiu de uma necessidade concreta. A rotina da mãe exigia presença constante, acompanhamento e capacidade de responder a situações que não obedeciam ao horário comercial.
A consultoria independente tornou-se uma alternativa para preservar sua atividade profissional e, ao mesmo tempo, oferecer a flexibilidade de que a família precisava.
Essa transição aproxima sua história de muitas trajetórias de reinvenção presentes no empreendedorismo no Brasil. Afinal, nem toda mudança profissional nasce da identificação de uma oportunidade de mercado. Algumas surgem da necessidade de construir uma vida mais compatível com as prioridades pessoais.
“O maior desafio não foi aprender a cuidar. Foi entender que cuidar também exigia abrir mão de parte da vida que eu havia planejado. Quando uma família decide assumir esse compromisso, todos são transformados. Não existe manual. Existe amor, adaptação e escolhas diárias.”
A experiência mostra que uma carreira não se resume a promoções, metas e cargos. Em determinados momentos, liderar a própria trajetória significa revisar prioridades e criar uma forma diferente de trabalhar.
Cuidar também exige gestão de tempo, dinheiro e emoções
O cuidado familiar costuma ser associado a consultas, medicamentos e tarefas domésticas. No entanto, a realidade envolve muito mais.
Uma família que assume o cuidado prolongado precisa organizar diferentes dimensões:
- responsabilidades de cada integrante;
- despesas recorrentes e emergenciais;
- acompanhamento médico;
- adaptações da residência;
- horários de trabalho;
- períodos de descanso;
- substituições em situações de emergência;
- preservação da autonomia de quem recebe o cuidado.
Nesse contexto, habilidades comuns ao ambiente corporativo tornam-se importantes dentro de casa. Planejamento, comunicação, priorização e divisão de responsabilidades ajudam a reduzir conflitos e improvisos.
Além disso, nenhuma planilha elimina o peso emocional da experiência. A pressão contínua, a culpa e a sensação de estar sempre devendo atenção a alguém podem afetar o bem-estar do cuidador.
Por isso, discutir saúde mental para empreendedores também significa reconhecer situações familiares que interferem diretamente na produtividade, na concentração e na capacidade de tomar decisões.
O impacto do cuidado familiar na carreira também pode aparecer na perda de oportunidades, na redução da renda e no adiamento de projetos profissionais. Mesmo assim, muitas pessoas evitam falar sobre essas consequências por medo de parecerem menos comprometidas com a família.
Ao mesmo tempo, cuidadores e profissionais precisam observar possíveis sinais de burnout e esgotamento emocional. Pedir ajuda não diminui o compromisso com a pessoa cuidada. Ao contrário, ajuda a tornar o cuidado sustentável.
A rede de apoio impede que uma pessoa carregue tudo sozinha
A esposa de Clovis, Marta Ventorini Salomon, sua irmã, Marina Salomon, e outros familiares participaram da organização necessária para que Olga permanecesse em casa com dignidade.
Essa rede ganhou ainda mais importância quando o próprio Clovis recebeu um diagnóstico de câncer e precisou passar por cirurgias e sessões de quimioterapia. Durante esse período, Marina assumiu integralmente os cuidados com a mãe.
A mudança de papéis evidenciou uma verdade importante: quem cuida também pode adoecer, precisar de apoio ou ficar temporariamente impossibilitado de manter a rotina.
Por isso, as famílias precisam evitar que todas as responsabilidades e informações fiquem concentradas em uma única pessoa. Os integrantes da rede devem compartilhar dados sobre consultas, profissionais, documentos, medicamentos, despesas e rotinas.
Além disso, a divisão de tarefas não deve acontecer apenas nos momentos de crise. Ela precisa fazer parte do planejamento cotidiano.
Afeto também precisa de planejamento
Planejar o cuidado pode parecer uma atitude fria para algumas pessoas. Entretanto, organização não reduz o afeto. Na prática, ela protege as relações e permite que a família tome decisões com mais clareza.
Uma conversa preventiva pode começar com perguntas simples, mas decisivas.
Quem tem disponibilidade real para ajudar?
É importante diferenciar vontade de disponibilidade. Cada integrante possui horários, limitações, responsabilidades financeiras e condições emocionais diferentes.
Dessa forma, a família evita promessas que não conseguirá cumprir e pode distribuir as tarefas de maneira mais realista.
Quais despesas podem surgir?
Adaptações da casa, transporte, acompanhamento profissional, equipamentos, medicamentos e serviços de apoio podem alterar significativamente o orçamento.
Por isso, a família deve levantar os custos previsíveis, criar uma reserva para emergências e decidir como cada pessoa contribuirá.
Como preservar a autonomia da pessoa cuidada?
Cuidar não significa decidir tudo no lugar do outro. Sempre que possível, a pessoa idosa ou dependente deve participar das decisões sobre sua rotina, sua casa, seus tratamentos e suas preferências.
Mais do que isso, preservar a autonomia ajuda a manter a identidade, a dignidade e o senso de pertencimento de quem recebe o cuidado.
Quem pode substituir o cuidador principal?
Toda rede precisa de alternativas para períodos de descanso, viagens, doenças e emergências. Afinal, uma pessoa não consegue permanecer disponível o tempo inteiro sem comprometer a própria saúde.
Portanto, a família deve definir substituições antes que uma situação urgente aconteça.
Como proteger a carreira de quem cuida?
Flexibilidade, trabalho remoto, consultoria, redução temporária da jornada e redistribuição de atividades podem evitar uma ruptura profissional completa.
Por outro lado, nem todas as empresas oferecem condições adequadas. Nesses casos, o profissional precisa analisar os impactos financeiros, emocionais e familiares antes de tomar uma decisão definitiva.
Todo tempo é para viver transforma experiência em conhecimento
Ao registrar suas memórias e os aprendizados construídos durante os anos de cuidado, Clovis transformou uma experiência familiar em um produto de conhecimento.
O livro Todo tempo é para viver reúne reflexões sobre envelhecimento, relações familiares, autonomia, presença e gestão do cuidado. Além disso, apresenta ferramentas que o autor desenvolveu durante a experiência com a mãe.
Nesse sentido, a obra também se conecta à economia criativa. A vivência pessoal deixa de ser apenas uma memória privada e passa a funcionar como conteúdo capaz de orientar conversas, fortalecer a marca do autor e apoiar outras famílias.
Clovis Salomon lançará o livro em 7 de agosto de 2026, das 18h às 21h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, localizada na Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, no Leblon, Rio de Janeiro.
O público pode acompanhar informações e atualizações no perfil oficial de Clovis Salomon no Instagram. Também pode consultar a localização da livraria na página oficial do Shopping Leblon.
O que profissionais e famílias podem aprender com essa trajetória
A história de Clovis não oferece uma fórmula única. Cada família possui recursos, vínculos e necessidades diferentes. Ainda assim, sua experiência deixa aprendizados relevantes:
- a dependência de um familiar pode alterar profundamente uma carreira;
- a flexibilidade profissional pode se tornar mais importante do que o status;
- o cuidado precisa ser compartilhado;
- o cuidador também necessita de descanso e atenção;
- autonomia e dignidade devem permanecer no centro das decisões;
- conversas antecipadas reduzem improvisos;
- experiências difíceis também podem gerar conhecimento e propósito.
O impacto do cuidado familiar na carreira mostra que flexibilidade, planejamento e rede de apoio não representam privilégios. Esses elementos ajudam a preservar a saúde, a identidade profissional e a qualidade do cuidado.
Mais do que escolher entre carreira e família, o desafio consiste em construir uma organização possível para que nenhuma pessoa desapareça dentro do papel de cuidador.
Por fim, cuidar de quem se ama não deveria significar abandonar completamente a própria saúde, identidade ou trajetória. O cuidado sustentável começa quando presença, planejamento e responsabilidade são compartilhados.
Sobre Clovis Felisberto Salomon
Clovis Felisberto Salomon é engenheiro civil, gestor de processos corporativos, consultor e empresário. Sua trajetória profissional ganhou um novo significado quando precisou reorganizar a carreira para acompanhar os cuidados da mãe.
A experiência despertou reflexões sobre envelhecimento, afeto, autonomia e qualidade de vida. A partir desses aprendizados, Clovis escreveu o livro Todo tempo é para viver.
Perguntas frequentes sobre cuidado familiar e carreira
Como o cuidado familiar pode afetar uma carreira?
O cuidado pode exigir redução de jornada, mudança de emprego, adoção de trabalho flexível ou interrupção temporária da atividade profissional. Além disso, pode afetar renda, produtividade, saúde emocional e planos de longo prazo.
Como conciliar trabalho e cuidado de pais idosos?
O primeiro passo consiste em criar uma rede de apoio, dividir tarefas e registrar informações importantes. Quando possível, o profissional também pode negociar flexibilidade e prever substituições para o cuidador principal.
Por que o cuidado precisa ser compartilhado?
Quando uma única pessoa assume todas as responsabilidades, aumenta o risco de sobrecarga física e emocional. Por isso, o compartilhamento ajuda a preservar a saúde do cuidador e torna a assistência mais sustentável.
Sobre o que é o livro Todo tempo é para viver?
A obra reúne memórias, aprendizados e reflexões de Clovis Salomon sobre os anos em que acompanhou os cuidados da mãe. O livro aborda envelhecimento, autonomia, relações familiares, presença e gestão do cuidado.
Quando acontecerá o lançamento do livro de Clovis Salomon?
Clovis lançará o livro no dia 7 de agosto de 2026, das 18h às 21h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro.





