Festival Sinédoque 2026 reúne 23 documentários gratuitos no Rio

COLABORAÇÃO TOK

Diego Martins · Colunista

Imagem de divulgação do Festival Sinédoque 2026, dedicado a documentários brasileiros no Rio de Janeiro.
Festival Sinédoque 2026 reúne 23 documentários brasileiros em programação gratuita em Botafogo. Foto: Andrea Pessoa.

Por Diego Martins | Colaborador TOK

De 4 a 8 de novembro, a sexta edição do Festival Sinédoque apresenta filmes das cinco regiões do Brasil, debates, masterclasses e premiação no Estação Claro Rio, em Botafogo. A programação gratuita também oferece oportunidades de formação e conexão para profissionais do audiovisual.

O Festival Sinédoque 2026 acontece de 4 a 8 de novembro, no Estação Claro Rio, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Em sua sexta edição, o evento reúne 23 documentários brasileiros de curta-metragem, distribuídos em seis sessões competitivas, além de debates, duas masterclasses e uma cerimônia de premiação.

Com entrada gratuita, a programação reúne produções das cinco regiões do país e aborda temas como memória, cultura popular, ancestralidade, política, racismo, meio ambiente, violência urbana e direitos humanos.

Além de ampliar o acesso ao cinema nacional, o festival contribui para a circulação de produções independentes e aproxima realizadores, estudantes e espectadores. Nesse sentido, também representa uma iniciativa relevante para a economia criativa e para a formação de profissionais do setor audiovisual.

Festival Sinédoque 2026 valoriza o documentário brasileiro

Criada em 2021, durante a pandemia de Covid-19, a Sinédoque surgiu no ambiente digital e desenvolveu uma proposta de valorização do documentário brasileiro em curta-metragem.

O projeto dedica sua programação à produção nacional, com atenção à diversidade de narrativas, estilos e perspectivas cinematográficas.

Para Lucas Vasconcellos, diretor do festival, o curta documental possui relevância artística própria e merece espaços específicos de circulação.

“Somos o único festival do Brasil dedicado exclusivamente ao documentário brasileiro em curta-metragem. Acreditamos no curta como uma forma de expressão cinematográfica com valor próprio, e não apenas como um caminho para chegar ao longa-metragem. Aqui, o curta é protagonista, recebe o espaço e a atenção que merece, com exibições na tela grande e encontros entre realizadores e público. Queremos valorizar essa produção e torná-la cada vez mais acessível, em um festival democrático e gratuito”, destaca Lucas Vasconcellos.

Assim, o evento busca oferecer visibilidade a produções que nem sempre encontram espaço nos circuitos comerciais tradicionais.

Segundo o regulamento oficial da sexta edição, o festival aceita documentários brasileiros produzidos em 2025 ou 2026, com duração máxima de 30 minutos.

Economia criativa e oportunidades para profissionais do audiovisual

Além da exibição de filmes, o Festival Sinédoque contribui para conectar diferentes atividades da cadeia produtiva do audiovisual.

A produção de um documentário envolve profissionais de roteiro, direção, pesquisa, fotografia, montagem, produção executiva, comunicação e distribuição. Portanto, a circulação dessas obras também representa uma oportunidade de apresentar novos trabalhos e ampliar redes de relacionamento profissional.

Os festivais independentes desempenham um papel importante nesse processo ao reunir realizadores, curadores, críticos e público em torno de projetos cinematográficos.

No caso da Sinédoque, os debates após as sessões e as atividades de formação permitem aprofundar discussões sobre linguagem, criação artística e processos de produção.

Essa proposta dialoga com outras iniciativas do audiovisual brasileiro, como o Festival Internacional de Cinema de Arquivo, já abordado pelo Portal TOK, que também valoriza a relação entre cinema, memória e patrimônio audiovisual.

Dessa forma, o Festival Sinédoque não se limita à programação cultural. A iniciativa também pode contribuir para o desenvolvimento profissional, a troca de conhecimentos e a visibilidade de realizadores independentes.

Seleção reúne 23 filmes das cinco regiões brasileiras

A sexta edição apresenta documentários que exploram experiências individuais e coletivas para discutir diferentes aspectos da sociedade brasileira.

Entre os destaques está Helena! Cinema!, dirigido por Cavi Borges e Christian Caselli, que aborda a trajetória de Helena Ignez, atriz e cineasta ligada à história do cinema nacional.

Outro filme selecionado é Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique, que revisita o confronto entre a identidade histórica da cidade pernambucana e a chegada de uma unidade da rede McDonald’s.

Segundo o material de divulgação, o curta integra o circuito de elegibilidade para uma possível indicação ao Oscar 2027, na categoria de Melhor Documentário em Curta-Metragem. Essa condição não significa que a obra tenha recebido uma indicação da Academia.

Já Réquiem para Moïse, dirigido por Susana Lira e Caio Barretto Briso, aborda o assassinato de um jovem imigrante congolês no Rio de Janeiro e apresenta reflexões sobre racismo, violência e a situação de refugiados africanos no Brasil.

Essas produções ilustram a diversidade temática da seleção, que combina relatos pessoais, pesquisa histórica, registros culturais e questões sociais.

Seis sessões temáticas apresentam diferentes perspectivas sobre o Brasil

Os 23 documentários foram organizados em seis sessões competitivas, com debates destinados ao encontro entre realizadores e espectadores.

Ordem Mundial

A sessão reúne quatro produções sobre disputas ideológicas, fronteiras, transformações políticas, memória e destino.

Mulheres em Perfil

Quatro filmes apresentam histórias de mulheres ligadas à resistência, à ancestralidade, à produção artística e à afirmação de identidades.

Arquivo e Memória

A seleção utiliza documentos, registros históricos e imagens de arquivo para revisitar acontecimentos e recuperar narrativas do passado.

Cultura de Rua

A sessão destaca manifestações como hip-hop, poesia falada, dança e arte urbana. Entre os títulos estão Versos da Rua, Filme em Cartaz, Luis do Charme e Nação Hip Hop: Cultura de Rua.

Violência Carioca

Três documentários abordam racismo, desigualdade, violência urbana e memória nas comunidades do Rio de Janeiro.

Queridinhos

A última sessão competitiva apresenta produções que exploram humor, música, afeto e poesia em situações cotidianas.

Masterclasses gratuitas oferecem formação em roteiro, fotografia e memória

Um dos diferenciais da programação são duas masterclasses gratuitas voltadas à troca de experiências e ao aprofundamento de processos criativos no cinema documental.

As atividades acontecem presencialmente no Estação Claro Rio, das 15h às 18h, e oferecem vagas limitadas.

5 de novembro: Roteiro para Documentário, com Rita Toledo

No dia 5 de novembro, a roteirista Rita Toledo ministra a masterclass Roteiro para Documentário: argumento, pesquisa, montagem e linguagem híbrida.

Realizada em parceria com o Projeto Paradiso, por meio do programa Paradiso Multiplica, a atividade utiliza como referência o filme Morro Grande, escrito e dirigido por Rita Toledo e Isabel Joffily.

Durante o encontro, serão discutidas etapas de construção do documentário, desde a pesquisa inicial até as transformações decorrentes das filmagens e da montagem.

Além disso, a programação aborda desafios de escrita e reescrita, desenvolvimento de projetos e participação em laboratórios e editais.

6 de novembro: Fabular o Brasil, com Rafael Cosme

No dia 6 de novembro, o artista visual e pesquisador Rafael Cosme apresenta a masterclass Fabular o Brasil: arquivos, fotografia e memória.

A atividade parte do projeto O Passado é Um Ponto de Luz, um acervo de fotografias amadoras do Rio de Janeiro que Cosme reúne há mais de uma década.

O encontro discute as relações entre fotografia, memória e criação artística, além das possibilidades narrativas oferecidas pelos arquivos visuais.

Ao final, haverá a exibição do curta-metragem homônimo, dirigido por Tadeu Bijos.

As inscrições para as duas atividades devem ser realizadas pelo site oficial do Festival Sinédoque, conforme a disponibilidade de vagas.

Festival Sinédoque terá cinco filmes premiados

A sexta edição contará com premiação definida tanto pelo público quanto por um júri formado por profissionais do audiovisual e da crítica cultural.

Conforme o material de divulgação, o júri reúne Ana Bovino, diretora e produtora selecionada para a Sundance Institute Latin Scholarship; Flavia Candida, cineasta e curadora; e Gabriel Trigueiro, escritor, crítico literário e doutor em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ao todo, cinco produções receberão troféus. Três filmes conquistarão o Prêmio do Público, de acordo com a votação dos espectadores.

Além disso, o júri oficial escolherá uma produção para o Prêmio do Júri e outra para a Menção Honrosa.

O anúncio dos vencedores está previsto para domingo, 8 de novembro, às 18h, durante a sessão de encerramento, que também terá a exibição dos filmes premiados.

Programação completa do Festival Sinédoque 2026

Confira as datas, horários, filmes selecionados, diretores e atividades previstas para a sexta edição do festival.

4 de novembro, quarta-feira — abertura

20h — Abertura do festival. Sessão aberta ao público no Estação Claro Rio.

5 de novembro, quinta-feira

15h às 18h — Masterclass: Roteiro para Documentário

Com Rita Toledo, em parceria com o Projeto Paradiso, pelo programa Paradiso Multiplica. A atividade aborda argumento, pesquisa, montagem e linguagem híbrida a partir do filme Morro Grande.

18h — Sessão 1: Ordem Mundial

  • De alguma forma o destino é algo que pode nos pertencer (BA) — Direção: Marcos Alexandre. Um poeta atravessa as ruas do Harlem enquanto reflete sobre o destino e a passagem do tempo.
  • Estátuas também morrem? (RS) — Direção: Thais Fernandes. Quatro crianças investigam o significado de estátuas da era comunista em um parque húngaro.
  • Soldado sem sono (GO) — Direção: Rafael de Almeida. Em um cenário de Terceira Guerra Mundial, pessoas começam a dormir por tempo indeterminado.
  • Os Arcos Dourados de Olinda (PE) — Direção: Douglas Henrique. A obra revisita o conflito entre a cidade de Olinda e a chegada de uma unidade do McDonald’s.

20h — Sessão 2: Mulheres em Perfil

  • A Pele do Ouro (RR) — Direção: Marcela Ulhoa e Yare Perdomo. Uma mulher venezuelana revisita memórias da infância, a busca pelo ouro na Amazônia e a condição feminina.
  • Mulheres do Ribeira (SP) — Direção: Leticia Tonon. Histórias de parteiras, agricultoras e mulheres que preservam saberes ancestrais no Vale do Ribeira.
  • V.O. por F.P. (SP) — Direção: Fernanda Pessoa. A cineasta encontra Vivian Ostrovsky em Copacabana para conversar sobre cinema e processos criativos.
  • Helena! Cinema! (RJ) — Direção: Cavi Borges e Christian Caselli. Um retrato da trajetória artística de Helena Ignez.

6 de novembro, sexta-feira

15h às 18h — Masterclass: Fabular o Brasil — arquivos, fotografia e memória

Com Rafael Cosme, a partir do acervo O Passado é Um Ponto de Luz. A atividade inclui a exibição do curta homônimo, dirigido por Tadeu Bijos.

18h — Sessão 3: Arquivo e Memória

  • Defloradas (RJ) — Direção: Luísa Reis. O filme investiga documentos policiais, médicos e jurídicos da Primeira República para abordar violências contra mulheres.
  • Um filme para lembrar da utopia (RJ) — Direção: Reinaldo Cardenuto. Registros cinematográficos de Esdras Baptista recuperam expectativas de transformação social no Brasil dos anos 1960.
  • A Cachoeira (BA) — Direção: Rayssa Coelho e Filipe Gama. A obra retrata a Cachoeira de Paulo Afonso diante das transformações provocadas pelas demandas do progresso.
  • Um certo cinema brasileiro (SE) — Direção: Fábio Rogério. Um olhar sobre as contradições entre o consumo de filmes eróticos, a censura e a repressão moral.

20h — Sessão 4: Cultura de Rua

  • Versos da Rua (RJ) — Direção: Marcos Roza, Lucas H. Rossi e Kaue Benedito. O documentário acompanha batalhas de poesia e rodas culturais nas ruas cariocas.
  • Filme em Cartaz (RJ) — Direção: Alberto Pereira e Debora Herszenhut. Um cartaz de rua ganha voz para narrar sua passagem pelos muros da cidade.
  • Luis do Charme (RJ) — Direção: Tuanny Medeiros. Um encontro entre pai e filha recupera a trajetória de um homem dedicado à dança.
  • Nação Hip Hop: Cultura de Rua (SC) — Direção: Laia Orisa. O curta recupera a história de um programa independente de televisão dedicado ao hip-hop, exibido entre 2001 e 2006.

7 de novembro, sábado

18h — Sessão 5: Violência Carioca

  • Réquiem para Moïse (RJ) — Direção: Susana Lira e Caio Barretto Briso. A trajetória de um jovem imigrante africano assassinado no Rio expõe questões relacionadas ao racismo e à violência.
  • Cadu Barcellos — Cria não morre, vira lenda (RJ) — Direção: Wagner Novais. Um retrato do cineasta negro da Maré, de sua ancestralidade e de seu legado.
  • Cartas pela Paz (RJ) — Direção: Mariana Reade, Thays Acaiabe e Patrick Zeiger. Crianças de favelas cariocas escrevem cartas sobre seus sonhos, medos e direitos.

20h — Sessão 6: Queridinhos

  • Tarde no Planeta (SP) — Direção: Julia Tonon. Diante de uma catástrofe ambiental iminente, um menino decide passar o último dia com a mãe.
  • Filme-Copacabana (RJ) — Direção: Sofia Leão. Uma jovem observa o movimento cotidiano de Copacabana como uma experiência cinematográfica.
  • Recife tem um Coração (RN) — Direção: Rodrigo Sena. O músico Silvio Silva realiza uma transmissão ao vivo para conseguir comprar uma nova caixa de som.
  • Bregueragem (BA) — Direção: Daniel Arcades. Personagens de uma casa de seresta compartilham histórias de amor, sofrimento e música popular.

A sessão será seguida de debate com o público.

8 de novembro, domingo — encerramento e premiação

18h — Cerimônia de encerramento.

O festival anunciará os cinco filmes vencedores, entregará os troféus e exibirá as produções premiadas.

Serão concedidos três Prêmios do Público, um Prêmio do Júri e uma Menção Honrosa do Júri.

Como participar do Festival Sinédoque 2026?

O festival oferece entrada gratuita para todas as sessões de cinema, realizadas no Estação Claro Rio, em Botafogo.

Além disso, as duas masterclasses também são gratuitas, mas exigem inscrição e possuem vagas limitadas.

O público pode consultar atualizações, orientações de acesso e informações sobre as atividades pelo site oficial da Sinédoque.

Para estudantes, documentaristas e profissionais do audiovisual, a programação representa uma oportunidade de acompanhar produções brasileiras e conhecer diferentes abordagens de roteiro, fotografia, montagem e pesquisa documental.

Serviço: 6ª Sinédoque — Festival Nacional de Documentários Curtos

Evento: 6ª Sinédoque — Festival Nacional de Documentários Curtos.

Período: 4 a 8 de novembro de 2026.

Local: Estação Claro Rio — Sala 1.

Endereço: Rua Voluntários da Pátria, 35 — Botafogo, Rio de Janeiro (RJ).

Entrada: gratuita para todas as exibições.

Abertura: 4 de novembro, às 20h.

Sessões competitivas: 5, 6 e 7 de novembro, às 18h e às 20h.

Masterclasses: 5 e 6 de novembro, das 15h às 18h, com inscrições e vagas limitadas.

Encerramento e premiação: 8 de novembro, às 18h.

Informações e inscrições: www.sinedoque.com.br.

A programação foi divulgada pela organização do festival e está sujeita a eventuais alterações. Consulte os canais oficiais antes de comparecer às sessões e às atividades de formação.

Perguntas frequentes sobre o Festival Sinédoque 2026

Quando acontece o Festival Sinédoque 2026?

A sexta edição acontece entre 4 e 8 de novembro de 2026, com exibições, debates, masterclasses e premiação.

Onde será realizado o Festival Sinédoque no Rio?

O festival acontece no Estação Claro Rio, na Rua Voluntários da Pátria, 35, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

O Festival Sinédoque é gratuito?

Sim. Todas as exibições são gratuitas. As masterclasses também não têm custo, mas possuem vagas limitadas e exigem inscrição.

Quantos filmes participam da sexta edição?

A seleção reúne 23 documentários brasileiros de curta-metragem, distribuídos em seis sessões competitivas e produzidos por realizadores de diferentes regiões do país.

Como participar das masterclasses do festival?

As inscrições devem ser realizadas pelo site oficial da Sinédoque. As atividades acontecem nos dias 5 e 6 de novembro, das 15h às 18h, no Estação Claro Rio.


Colaboração: Diego Martins | Colaborador TOK

Informações: Sinédoque — Festival Nacional de Documentários Curtos.

Crédito da imagem: Andrea Pessoa

Conteúdo editado e contextualizado pelo Portal TOK de Empreendedorismo, com enfoque em economia criativa, produção audiovisual, formação profissional e mercado cultural.

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