Luzia Moraes · Jornalista

Inspirado em três obras de Ariano Suassuna, espetáculo do Barracão das Artes une teatro físico, circo e música ao vivo em apresentação única no dia 31 de outubro, em Salvador.
Por Luzia Moraes | Colaborador TOK
O experimento cênico Ariano Brasa Brasileiro chega à Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, no dia 31 de outubro de 2026, às 20h. A apresentação será única e integra a programação de retomada do espaço após as obras de requalificação.
Realizada pelo Núcleo de Teatro e Artes Integradas do Barracão das Artes, a montagem reúne mais de 20 artistas em cena. Teatro físico, dança, música e linguagens circenses se encontram em uma criação inspirada no universo literário de Ariano Suassuna.
Com direção geral e roteiro de Fábio Viana, o espetáculo já passou pelo Teatro Gregório de Mattos e pelo Cine Teatro Solar Boa Vista. Agora, ganha uma nova dimensão ao ocupar um dos principais palcos da Bahia.
Ariano Brasa Brasileiro transforma o sertão em experiência cênica
A montagem apresenta uma leitura livre de três obras de Ariano Suassuna: História do Rei Degolado nas Caatingas do Sertão, Dom Pantero no Palco dos Pecadores e O Pasto Incendiado.
Em vez de reproduzir os textos de maneira convencional, a equipe constrói uma linguagem própria. O sertão nordestino aparece como um território de memória, imaginação, conflitos e personagens simbólicos.
O encontro entre referências populares e eruditas é uma das marcas da encenação. Assim, a literatura se transforma em movimento, canto e expressão corporal.
Segundo a programação oficial do Teatro Castro Alves, a narrativa reúne figuras como Quaderna, o Corregedor, cantadores de cordel, ciganas e a Onça Caetana.
Esse universo aproxima o público de elementos da cultura nordestina sem limitar a experiência a uma época específica.
Teatro físico, circo e música dão vida à montagem
O Barracão das Artes aposta em uma encenação que valoriza a presença dos artistas e a força expressiva do corpo.
O elenco, formado por mais de 20 atores-músicos, é apresentado pelo grupo como um conjunto de “atuadores atletas afetivos do coração”.
Na prática, isso significa uma linguagem cênica que combina diferentes habilidades. A dança se encontra com o canto, enquanto a palhaçaria e as artes circenses ampliam as possibilidades visuais do espetáculo.
Entre os recursos utilizados estão tecido aéreo, lira e apresentações musicais ao vivo.
Além disso, as composições instrumentais ajudam a construir a atmosfera da narrativa. O resultado é uma proposta que utiliza o movimento e a sonoridade como elementos centrais da experiência teatral.
Referências brasileiras atravessam a criação artística
A pesquisa estética de Ariano Brasa Brasileiro estabelece conexões entre diferentes expressões da arte nacional.
O Movimento Armorial, associado à trajetória de Ariano Suassuna, aparece como uma referência importante. Sua proposta de aproximar tradições populares e criação artística erudita dialoga com a linguagem da montagem.
Entretanto, a pesquisa do grupo também incorpora outras referências.
O universo musical de Chico Science e Nação Zumbi, as composições de Villa-Lobos e o cinema de Glauber Rocha ajudam a formar o repertório estético do espetáculo.
Assim, a produção aproxima diferentes momentos da cultura brasileira em uma encenação contemporânea.
Mais do que reunir referências conhecidas, o projeto procura transformá-las em uma linguagem artística própria.
Espetáculo integra a retomada da Sala Principal do Novo TCA
A apresentação também marca um momento importante para o Teatro Castro Alves.
Ariano Brasa Brasileiro integra a Programação Artística – Operação Teste do Novo TCA, realizada por meio de uma convocatória especial para ocupação da Sala Principal.
A iniciativa foi criada para receber espetáculos baianos durante o processo de retomada do teatro após as obras de requalificação.
Segundo a Fundação Cultural do Estado da Bahia e o Teatro Castro Alves, a convocatória busca ampliar as oportunidades de circulação e apresentação de produções culturais locais.
O edital contempla propostas de teatro, dança, música e performance. Além disso, permite a participação de pessoas jurídicas e microempreendedores individuais formalizados no setor cultural.
Esse modelo reforça a relação entre políticas culturais, trabalho artístico e economia criativa.
Produção cultural também é empreendedorismo criativo
Uma montagem com mais de 20 artistas exige organização, planejamento e profissionais de diferentes especialidades.
Além do elenco, a realização depende de direção, preparação corporal e vocal, criação de iluminação, operação de som e coordenação de produção.
Essas atividades representam parte da cadeia de trabalho que sustenta o setor cultural.
No caso de Ariano Brasa Brasileiro, a participação no Novo TCA amplia as possibilidades de circulação do projeto. Ao mesmo tempo, oferece visibilidade ao trabalho desenvolvido pelo Barracão das Artes.
Em Salvador, a conexão entre arte, produção e oportunidades profissionais também aparece em outras iniciativas culturais. O Tok de Empreendedorismo já apresentou esse cenário na reportagem sobre a Feira Trilha das Artes e a valorização da economia criativa na cidade.
Embora os formatos sejam diferentes, ambos demonstram como projetos culturais mobilizam talentos e ajudam a manter ativa a produção artística regional.
A cultura nordestina como fonte de criação e identidade
A obra de Ariano Suassuna continua inspirando artistas interessados em reinterpretar o imaginário nordestino.
Em Ariano Brasa Brasileiro, elementos ligados ao sertão, à tradição oral e à cultura popular encontram novas possibilidades de expressão.
O espetáculo também valoriza a capacidade de transformar histórias e símbolos culturais em experiências compartilhadas com o público.
Para o Barracão das Artes, a apresentação no Teatro Castro Alves representa mais uma etapa na circulação da montagem e na relação do grupo com os espectadores baianos.
Essa valorização da produção regional também dialoga com o espaço dedicado à arte e à cultura no Tok, presente em iniciativas como o Papo de Artista, que aproxima criadores e o público na Bahia.
Quando e onde assistir a Ariano Brasa Brasileiro?
O espetáculo será apresentado em 31 de outubro de 2026, às 20h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves, no bairro do Campo Grande, em Salvador.
Os ingressos custam a partir de R$ 25, conforme o setor escolhido e as condições de meia-entrada.
Segundo o teatro, os valores divulgados são de R$ 50 a R$ 60 para entradas inteiras e R$ 25 a R$ 30 para meia-entrada.
As vendas acontecem pela bilheteria do TCA e pela plataforma Sympla. O público pode consultar os detalhes na página oficial do espetáculo.
A classificação indicativa é de 14 anos.
Ficha técnica de Ariano Brasa Brasileiro
Direção geral e roteiro: Fábio Viana.
Elenco: atuadores e músicos do Barracão das Artes.
Assistente de direção: Graziella Monteiro.
Artes circenses: Rafael Bandeira.
Preparação de elenco — corpo e voz: Paullo Fonseca.
Fotografia: Tatiana Guimarães.
Coordenação de produção: Ruan Ribeiro e Ilza Teixeira.
Plano de iluminação: Tainá de Sousa.
Produção executiva: Janaina Costa.
Operação de luz: Bruna Immich.
Operação de som: Veriangela B. de Santana.
Assistente de produção: Rozin Daltron.
Serviço — Ariano Brasa Brasileiro
Espetáculo: Ariano Brasa Brasileiro.
Data: sábado, 31 de outubro de 2026.
Horário: 20h.
Local: Sala Principal do Teatro Castro Alves.
Endereço: Praça Dois de Julho, s/n, Campo Grande, Salvador, Bahia.
Ingressos: a partir de R$ 25.
Vendas: Sympla e bilheteria do Teatro Castro Alves.
Classificação indicativa: 14 anos.
Informações: site oficial do Teatro Castro Alves.
Perguntas frequentes sobre Ariano Brasa Brasileiro
Quando acontece Ariano Brasa Brasileiro no Teatro Castro Alves?
A apresentação única está marcada para 31 de outubro de 2026, às 20h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves, em Salvador.
Em quais obras de Ariano Suassuna o espetáculo se inspira?
A montagem apresenta uma leitura livre de História do Rei Degolado nas Caatingas do Sertão, Dom Pantero no Palco dos Pecadores e O Pasto Incendiado.
Quem dirige Ariano Brasa Brasileiro?
A direção geral e o roteiro são assinados por Fábio Viana, com realização do Núcleo de Teatro e Artes Integradas do Barracão das Artes.
Quanto custam os ingressos?
Os valores começam em R$ 25, conforme a categoria do ingresso e o setor. As vendas são realizadas pela Sympla e pela bilheteria do Teatro Castro Alves.
Qual é a classificação indicativa do espetáculo?
A classificação indicativa é de 14 anos.





