Oyárónké, de 10 anos, lança livro infantil sobre cultura afro-brasileira

COLABORAÇÃO TOK

Diego Martins · Colunista

Oyárónké, de 10 anos, autora do livro infantil As Aventuras da Boneca Oyá
Oyárónké estreia na literatura infantil com As Aventuras da Boneca Oyá, obra que valoriza a cultura afro-brasileira. Foto: Pedro Gomes.

Autora e ilustradora de “As Aventuras da Boneca Oyá”, menina transforma brincadeiras em histórias que valorizam a identidade negra, a criatividade e a educação antirracista.

Aos 10 anos, Oyárónké Gino Ivanir dos Santos já lançou seu primeiro livro. Em “As Aventuras da Boneca Oyá”, a menina transforma brincadeiras e experiências familiares em literatura infantil.

Além disso, a obra valoriza a identidade negra e apresenta referências à cultura afro-brasileira. Dessa forma, a jovem autora mostra como a imaginação pode ajudar crianças a reconhecer suas histórias e suas raízes.

O lançamento aconteceu às vésperas do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro. A iniciativa também destacou a importância de incentivar a leitura e a escrita desde a infância.

Como Oyárónké criou As Aventuras da Boneca Oyá

Oyárónké é filha da professora doutora Mariana Gino e do professor doutor e babalawô Ivanir dos Santos. Ambos atuam no movimento negro brasileiro e defendem a educação antirracista.

A menina encontrou na escrita uma nova forma de brincar. Esse contato aconteceu por meio da Casa dos Sambistinhas, projeto produzido pelo Movimento das Mulheres Sambistas.

Foi nesse ambiente que surgiu a ideia de transformar as aventuras de sua boneca em livro.

Conhecida carinhosamente como Oyá, a boneca acompanha a menina em viagens, brincadeiras e descobertas. Com isso, tornou-se a personagem principal de uma história repleta de afeto e criatividade.

Oyárónké também ilustrou a obra. Assim, participou tanto da criação do texto quanto da representação visual de seus personagens.

Livro infantil reúne aventuras, viagens e brincadeiras

Narrado em primeira pessoa, o livro acompanha diferentes momentos da vida de Oyázinha.

Em uma das histórias, a boneca perde os dois bracinhos. Por isso, precisa visitar o “SUS da Nininha”, onde recebe os cuidados necessários para ser costurada novamente.

As aventuras também acontecem fora de casa. Oyázinha visita o Rio de Janeiro, Aparecida do Norte e São Gonçalo. Além disso, vai ao cinema e participa de uma aula de boxe.

A narrativa apresenta situações da rotina familiar, como as orações antes de dormir e a leitura de livros e gibis.

Outro personagem é o coelho Sansão, melhor amigo da boneca. Outras bonecas negras da coleção de Oyárónké também participam desse universo.

Dessa maneira, a autora transforma acontecimentos simples em histórias que aproximam literatura, infância e imaginação.

Cultura afro-brasileira e identidade negra na literatura infantil

Além das brincadeiras, “As Aventuras da Boneca Oyá” aborda identidade, pertencimento, religiosidade e representatividade negra.

O livro apresenta referências ao significado do nome Oyárónké, à cultura iorubá e à orixá Oyá. Esses elementos fazem parte da construção cultural e afetiva da narrativa.

A diversidade, portanto, não aparece como um assunto distante da infância. Pelo contrário, está presente nos personagens, nos vínculos familiares e nas experiências da menina.

Por que a representatividade negra importa na infância?

A literatura pode ajudar crianças a reconhecer diferentes identidades e experiências.

Quando encontram personagens com referências próximas às suas, elas ampliam suas possibilidades de identificação. Ao mesmo tempo, conhecem outras culturas e formas de viver.

Nesse contexto, a educação antirracista também depende do acesso a histórias diversas.

No Brasil, a Lei nº 10.639/2003 tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira no currículo escolar, conforme as disposições legais.

Além disso, estudos sobre literatura infantil com protagonistas negros ajudam a compreender a importância dessas referências na educação.

A obra de Oyárónké contribui para essa discussão ao colocar uma criança negra no centro da criação literária.

Casa dos Sambistinhas incentiva novos autores

O livro integra uma iniciativa da Casa dos Sambistinhas que reuniu 18 crianças.

A primeira etapa contou com nove participantes, em setembro. A segunda também reuniu nove crianças, em outubro.

Cada participante recebeu 50 exemplares de sua publicação.

O projeto não busca apenas incentivar a leitura. Seu objetivo também é estimular crianças a escrever, ilustrar e compartilhar histórias.

Dessa forma, a iniciativa amplia as oportunidades de expressão artística desde cedo.

Criatividade infantil e economia criativa

A experiência também se conecta à economia criativa.

Afinal, escrever e ilustrar um livro envolve imaginação, comunicação, planejamento e expressão cultural.

Ao participar dessas atividades, as crianças desenvolvem habilidades que podem contribuir para diferentes áreas da vida.

No entanto, o valor da iniciativa não depende de resultados comerciais. O principal benefício está na oportunidade de criar e compartilhar ideias.

Projetos como a Casa dos Sambistinhas mostram que a formação de novos talentos pode começar em ambientes culturais e comunitários.

Professores e escritores reconhecem a iniciativa

O projeto recebeu o reconhecimento de Flávio Gomes, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ele destacou a importância de incentivar novos leitores e escritores desde a infância.

“Extraordinária iniciativa e fomenta leitores e mais ainda escritores na mais tenra idade. Mostra que é possível sim ampliar para todas as gerações uma agenda antiracista e plural de identidades e gênero. O livro de Oyáronké mostra um potencial de sensibilidades autorais fantásticas”.

O lançamento também contou com a presença do escritor Ele Semog e de Helena Theodoro.

Helena é uma referência intelectual na luta pela ampliação da presença de mulheres negras na academia brasileira.

A iniciativa recebeu ainda uma mensagem de André Leonardo Chevitarese, professor titular da UFRJ e autor de 27 livros.

“Continue nessa linda trajetória, sendo exemplo para tantas outras crianças, despertando nelas o amor pelos livros.”

Os reconhecimentos destacam o potencial de projetos que incentivam a criação literária infantil.

Autoria infantil amplia a representatividade na cultura

A estreia de Oyárónké também chama atenção para o protagonismo de crianças negras na literatura.

Nesse caso, a representatividade vai além dos personagens. A própria menina participa da produção cultural como autora e ilustradora.

Isso amplia as possibilidades de crianças negras se reconhecerem como criadoras de histórias.

Além disso, a publicação valoriza experiências familiares, referências religiosas e elementos da cultura afro-brasileira.

Ao transformar suas brincadeiras em literatura, Oyárónké mostra que a infância também pode ser um espaço de produção artística.

Sua trajetória reforça a importância de famílias, escolas e projetos culturais oferecerem oportunidades para a expressão criativa.

Como conseguir o livro As Aventuras da Boneca Oyá?

“As Aventuras da Boneca Oyá” integra o projeto da Casa dos Sambistinhas, produzido pelo Movimento das Mulheres Sambistas.

O material encaminhado ao TOK informa que a publicação possui valor simbólico e não integra uma comercialização regular.

Entretanto, não foi divulgado um canal oficial de solicitação de exemplares.

Por isso, interessados devem consultar diretamente a organização responsável pelo projeto para obter informações atualizadas.

Perguntas frequentes sobre As Aventuras da Boneca Oyá

Quem é Oyárónké Gino Ivanir dos Santos?

Oyárónké é uma menina de 10 anos. Ela escreveu e ilustrou o livro infantil “As Aventuras da Boneca Oyá”, inspirado em suas brincadeiras e experiências familiares.

Sobre o que fala As Aventuras da Boneca Oyá?

O livro acompanha as aventuras de uma boneca chamada Oyá. A história aborda amizade, família, identidade negra, cultura afro-brasileira e representatividade.

O que é a Casa dos Sambistinhas?

É um projeto produzido pelo Movimento das Mulheres Sambistas. A iniciativa incentiva crianças a desenvolver a criatividade por meio da escrita e da produção literária.

Como o livro contribui para a educação antirracista?

A obra valoriza personagens negros, referências africanas e afro-brasileiras e experiências de pertencimento. Assim, amplia o contato das crianças com diferentes identidades culturais.

Onde encontrar o livro As Aventuras da Boneca Oyá?

O material aprovado não apresenta um canal oficial de solicitação. Os interessados devem consultar a organização responsável pelo projeto.

Colaboração: Diego Martins | Colaborador TOK

Crédito da imagem: Pedro Gomes

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