
Em cartaz no Teatro Municipal Ziembinski, no Rio de Janeiro, o espetáculo À beira da piscina, um homem sentado propõe uma travessia íntima sobre masculinidade, corpo, silêncio e transformação. Com dramaturgia e direção de Diogo Liberano e atuação e realização de Gilberto Silva, a peça cumpre temporada de 2 a 25 de outubro de 2026.
A montagem acompanha um homem que, após uma tarde de sábado ao redor da piscina com quatro amigas, percebe uma abertura em seu peito. Diante dessa rachadura simbólica, ele entrevê uma longa escada rumo ao seu interior e decide descer.
Mais do que contar uma história linear, o espetáculo cria uma experiência de atenção. O público acompanha um homem que não tenta avançar para fora, mas para dentro. Nesse mergulho, ele reencontra aquilo que precisou abandonar para se tornar o que aprendeu a reconhecer como “um homem de verdade”.
Uma peça sobre masculinidade e aquilo que os homens aprendem a silenciar
À beira da piscina, um homem sentado evidencia as marcas deixadas pela repressão emocional e pelos padrões sociais impostos aos homens. Por isso, a peça conversa diretamente com uma questão urgente: o que acontece quando um homem passa a vida sendo afastado do próprio corpo, dos próprios afetos e da própria vulnerabilidade?
Segundo Diogo Liberano, a obra busca mostrar no palco o impacto aparentemente invisível da repressão patriarcal: o inconsciente de um homem que foi impedido de sentir. No entanto, a peça não se limita à dor. Ela também procura uma saída possível: ganhar consciência para ocupar a vida com encontros mais alegres.
“Queremos mostrar no palco o impacto aparentemente invisível da repressão patriarcal: o inconsciente de um homem que foi impedido de sentir, ou seja, que foi separado de seu próprio corpo. A peça investiga como essa violência chegou fundo em nós, mas faz isso sempre em busca de uma saída: a possibilidade de ganhar consciência para, então, ocupar a vida com encontros mais alegres”, afirma Diogo Liberano.
Esse debate se aproxima de temas já tratados no Tok sobre saúde mental, comportamento e vida emocional. Afinal, falar sobre masculinidade também é falar sobre cuidado, escuta, vínculos e formas mais saudáveis de existir.
Do encontro com quatro mulheres ao mergulho dentro de si
Na sinopse, um homem de quarenta e muitos anos passa uma tarde com amigas, entre conversas, petiscos e histórias. Em seguida, algo se abre dentro dele. A partir dessa experiência, a peça transforma um encontro cotidiano em uma espécie de portal para o autoconhecimento.
A piscina, nesse contexto, não funciona apenas como cenário ou lembrança. Ela se torna imagem de profundidade, de água parada, de memória e de tudo aquilo que pode estar submerso em uma vida.
Gilberto Silva resume esse nascimento artístico a partir de uma imagem forte:
“Tudo nasceu de uma dor, um incômodo, uma espécie de água parada, que foi virando lama e que, após anos de processo criativo, foi decantada, filtrada e encheu uma piscina. Chamei as amigas pra curtir um sábado de sol e, naquela tarde, algo nasceu, rompeu”, revela Gilberto.
Assim, a peça transforma uma dor íntima em linguagem cênica. Em vez de explicar a masculinidade de fora, ela coloca o público diante de um homem que começa a escutar aquilo que ficou soterrado dentro dele.
O palco como espaço de escuta e transformação
O espetáculo se organiza como uma experiência de presença. Não há pressa em conduzir o público por uma sequência tradicional de acontecimentos. Pelo contrário, a obra aposta na atenção ao corpo, à palavra, ao silêncio e à relação entre ator e plateia.
Esse tipo de teatro cria uma oportunidade rara: olhar para questões sociais sem perder a dimensão humana. A masculinidade aparece não apenas como conceito, mas como experiência vivida no corpo, na memória, nas relações e nos afetos.
No Tok, esse olhar também dialoga com reflexões sobre cuidado, saúde mental e produções culturais, especialmente quando a arte ajuda o público a pensar temas difíceis com mais sensibilidade.
Uma criação independente com 16 profissionais envolvidos
Realizado de forma independente, com recursos levantados pelo próprio ator, o espetáculo reúne uma equipe de criação formada por 16 profissionais. Entre eles estão nomes ligados à direção, dramaturgia, atuação, cenário, figurino, iluminação, trilha sonora, fotografia, comunicação e produção.
Esse dado também merece atenção porque reforça a força da economia criativa. Uma peça teatral movimenta muitos profissionais antes mesmo de chegar ao público. Há criação, pesquisa, ensaio, produção executiva, comunicação, imagem, operação técnica e gestão de temporada.
Por isso, além do debate sobre masculinidade, À beira da piscina, um homem sentado também mostra a importância do teatro independente como campo de trabalho, criação e circulação de ideias.
Esse movimento se conecta a outras pautas culturais do Tok, como conteúdos sobre teatro, acesso à cultura e permanência de projetos artísticos.
Como cenário, luz e som constroem o interior desse homem
O cenário de Lucas Salim constrói um espaço interior. É como se o público entrasse no “dentro” desse homem. A iluminação de Nina Balbi cria neblina, sombras, escuros e claros, ampliando a sensação de busca e deslocamento.
A trilha sonora de Arthur Braganti propõe um mergulho aquoso, confuso e sensorial. Já os objetos de cena criados por Brunella Provvidente ajudam a tornar visível a transformação vivida pelo personagem.
Dessa forma, a encenação não apenas ilustra a dramaturgia. Ela cria um ambiente para que o público experimente a confusão, a abertura e a procura desse homem por algo que ficou distante de si mesmo.
Gilberto Silva e Diogo Liberano unem experiência, pesquisa e risco artístico
Gilberto Silva é ator formado pelo Curso Técnico de Formação de Atores da Universidade Federal Fluminense. Atuou em montagens como Morte Sobre a Lama e Eu sempre tive a ilusão de que um dia você ia me abraçar, além de participar de formações com artistas do audiovisual, como Eduardo Milewicz e Fátima Toledo.
Também participou de edições de A Escuta do Ator, processo conduzido por Miwa Yanagizawa e Liliane Rovaris, e formou-se como clown com Marcio Libar. Na televisão, seu último trabalho foi na novela Guerreiros do Sol, da TV Globo. Além disso, participou de outras novelas da emissora e da série El Pre$idente, da Amazon Prime, indicada ao Emmy TV Awards.
Diogo Liberano é diretor teatral e dramaturgo formado em Direção Teatral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio, foi coordenador do Núcleo de Dramaturgia Firjan SESI entre 2017 e 2021 e diretor artístico e de produção da companhia carioca Teatro Inominável.
Ao longo da carreira, Diogo encenou mais de trinta criações teatrais e escreveu mais de cinquenta dramaturgias, todas encenadas. Seu trabalho circulou por países como Argentina, Colômbia, Escócia, Estados Unidos, Itália, Inglaterra e Portugal.
Por que essa peça importa para além do teatro
O tema da masculinidade atravessa relações familiares, afetivas, profissionais e sociais. Quando homens aprendem que sentir é fraqueza, que pedir ajuda é ameaça ou que vulnerabilidade precisa ser escondida, todos ao redor também são afetados.
Nesse sentido, À beira da piscina, um homem sentado amplia a conversa. A peça não aponta soluções fáceis, mas cria uma experiência para que o público perceba as camadas dessa construção.
Ao transformar repressão emocional em linguagem teatral, o espetáculo convida homens e mulheres a observarem de que forma certas ideias sobre força, silêncio e controle ainda organizam comportamentos, relações e escolhas.
Para o Tok, essa pauta importa porque une cultura, desenvolvimento humano e comportamento. Além disso, mostra como a arte pode abrir conversas que muitas vezes não encontram espaço na rotina.
Serviço: À beira da piscina, um homem sentado
Espetáculo: À beira da piscina, um homem sentado
Estreia: 2 de outubro de 2026
Temporada: 2 a 25 de outubro de 2026, de sexta a domingo
Local: Teatro Municipal Ziembinski
Horários: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h
Ingressos: R$50 inteira e R$25 meia-entrada, disponíveis em bileto.sympla.com.br/event/127096
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: 18 anos
Ficha técnica
Atuação e realização: Gilberto Silva
Direção e dramaturgia: Diogo Liberano
Diretora assistente e iluminação: Nina Balbi
Cenário: Lucas Salim
Trilha sonora: Arthur Braganti
Objetos de cena: Brunella Provvidente
Fotografias de divulgação: Íra Barillo
Fotografias de cena e filmagem: Thaís Grechi
Participação especial: Bernardo de Assis
Participação especial em áudio: Andrêas Gatto
Design: Diogo Liberano
Mídias sociais: Camarujo
Assessoria de imprensa: Clara Lugão e Cris Nogueira
Operação de luz: Milena Codeço
Produção executiva e contrarregragem: Lud Tortelly
Direção de produção: Marcéllo Mucída
Perguntas frequentes sobre À beira da piscina, um homem sentado
Qual é o tema da peça À beira da piscina, um homem sentado?
A peça reflete sobre masculinidade, repressão emocional, corpo, vulnerabilidade e transformação interior a partir da jornada de um homem que decide olhar para dentro de si.
Quem assina a dramaturgia e a direção do espetáculo?
A dramaturgia e a direção são de Diogo Liberano.
Quem atua em À beira da piscina, um homem sentado?
O espetáculo tem atuação e realização de Gilberto Silva.
Quando a peça fica em cartaz no Teatro Ziembinski?
A temporada acontece de 2 a 25 de outubro de 2026, de sexta a domingo.
Qual é a classificação indicativa da peça?
A classificação indicativa é 18 anos.





