
IA na educação pública foi o centro de uma reflexão levada ao Rio Innovation Week 2026 pela ONG Parceiros da Educação Rio: em um tempo de avanço acelerado da inteligência artificial, escola, cultura e arte continuam sendo espaços essenciais para formar criatividade, sensibilidade, pensamento crítico e repertório humano.
O painel “O que a IA não substitui: a força da escola, da cultura e da arte” reuniu, no dia 4 de agosto, o historiador e escritor Luiz Antônio Simas, Rita Jobim, Diretora Executiva da Parceiros da Educação Rio, Lêda Fonseca, Coordenadora do projeto Lá Vem História, e Nathalia Mazolli Veiga, idealizadora e diretora do Social Innovation Lab — Isso é Coisa de CRIA.
A conversa aconteceu dentro da programação do Rio Innovation Week, evento que coloca tecnologia, negócios e inovação no centro do debate. No entanto, a provocação apresentada pela ONG desloca a pergunta principal: em vez de discutir apenas o que a inteligência artificial consegue fazer, o painel propôs pensar o que ela não deve substituir.
IA na educação pública exige tecnologia, mas também humanidade
A inteligência artificial já influencia a forma como pessoas estudam, trabalham, pesquisam, criam conteúdo e tomam decisões. Por isso, discutir seu papel na educação pública é urgente. Ainda assim, quando o assunto é formação de crianças e jovens, tecnologia sozinha não basta.
A escola segue sendo um território de convivência, escuta, vínculo, memória, imaginação e desenvolvimento emocional. Além disso, cultura e arte ampliam repertórios, fortalecem identidade e ajudam estudantes a interpretar o mundo com mais profundidade.
Essa visão conversa diretamente com o debate sobre desafios e oportunidades da inteligência artificial, especialmente quando a tecnologia deixa de ser vista apenas como ferramenta operacional e passa a ser analisada por seus impactos humanos, sociais e profissionais.
O que a inteligência artificial não substitui na formação dos jovens
Durante o painel, Luiz Antônio Simas reforçou que educação não pode ser separada das práticas, histórias e experiências do cotidiano. Para o historiador, escolaridade e educação não são exatamente sinônimos. Nesse sentido, um dos grandes desafios atuais é aproximar o conteúdo escolar da vida real dos estudantes.
Essa reflexão é importante porque a IA pode apoiar processos, organizar dados, acelerar pesquisas e personalizar experiências. Porém, ela não substitui o olhar de um educador atento, a troca entre alunos, o contato com diferentes linguagens artísticas e a construção coletiva de sentido.
Em outras palavras, preparar jovens para o futuro não significa apenas ensinar a usar tecnologia. Significa formar pessoas capazes de criar, questionar, colaborar, sentir, interpretar contextos e tomar decisões com responsabilidade.
Cultura e arte como inovação social dentro da escola
A presença da cultura e da arte nas escolas públicas não deve ser vista como complemento. Pelo contrário, ela é parte da formação integral dos estudantes. Projetos como o Lá Vem História mostram como literatura, artes, oralidade e matrizes culturais brasileiras podem fortalecer leitura, imaginação, autoestima e pertencimento.
Segundo a Parceiros da Educação Rio, o projeto Lá Vem História leva contação de histórias, oficinas artísticas e eventos culturais para alunos da rede pública, estimulando criatividade, escuta ativa e produção de textos.
Esse ponto também aproxima a pauta da economia criativa. Afinal, cultura, literatura e arte não são apenas expressões simbólicas: elas movimentam repertórios, identidades, carreiras, produtos, comunidades e novas formas de participação social. Para o Tok de Empreendedorismo, esse recorte é essencial, pois conecta educação, inovação e impacto humano.
Empresas, impacto social e o futuro da cidade
A fala de Rita Jobim amplia o debate para outro ponto estratégico: quando uma empresa investe em educação pública, ela não está apenas apoiando uma causa social. Está contribuindo para a formação de pessoas, para a redução da evasão escolar e para a construção de uma cidade mais preparada para crescer.
Esse raciocínio dialoga com o papel do empreendedorismo no Brasil como instrumento de inclusão social e crescimento econômico. Afinal, negócios mais conscientes entendem que impacto social, desenvolvimento humano e inovação caminham juntos.
Desde 2009, a Parceiros da Educação Rio atua ao lado da Secretaria Municipal de Educação, apoiando escolas de Ensino Fundamental I no Rio de Janeiro. De acordo com informações da própria organização, a ONG trabalha para promover melhoria sistêmica na educação pública carioca por meio de parcerias com escolas públicas, sociedade civil e empresas.
Dados podem apoiar educadores, mas não substituir vínculos
Outro ponto importante do painel foi o uso da inteligência de dados para apoiar escolas públicas e educadores na identificação de desafios e oportunidades. Nesse caso, a tecnologia pode ajudar gestores a compreender indicadores, acompanhar desempenho, mapear lacunas e tomar decisões mais rápidas.
No entanto, os dados precisam estar a serviço das pessoas. Quando usados com responsabilidade, podem orientar políticas, fortalecer a aprendizagem e apoiar o trabalho pedagógico. Por outro lado, quando tratados como solução isolada, correm o risco de reduzir estudantes a números.
Esse equilíbrio também aparece em discussões sobre inteligência artificial e mercado de trabalho, já que profissionais e organizações precisam aprender a usar tecnologia sem perder pensamento crítico, ética e sensibilidade humana.
Educação, saúde emocional e pertencimento
Ao falar de escola, cultura e arte, também falamos de saúde emocional. Estudantes que têm acesso à leitura, criação, escuta e reconhecimento cultural podem desenvolver mais confiança para se expressar e imaginar possibilidades de futuro.
Mais do que isso, educadores também precisam de apoio. A pressão por resultados, a complexidade das salas de aula e os desafios sociais que chegam à escola exigem preparo técnico, mas também equilíbrio emocional, colaboração e redes de suporte.
Por isso, a pauta se conecta ao debate sobre os riscos de substituir interações humanas pela inteligência artificial. A tecnologia pode mediar experiências, mas não deve ocupar o lugar da presença humana, da escuta e da construção de vínculos reais.
O aprendizado que começa antes da tecnologia
A provocação central do painel é clara: inovação começa antes da tecnologia. Começa quando uma criança aprende na idade certa, quando uma escola recebe apoio, quando professores são fortalecidos e quando cultura e arte entram no processo educativo como caminhos de desenvolvimento humano.
Nesse contexto, o Rio Innovation Week se torna mais do que um palco para falar de IA. Torna-se também um espaço para lembrar que o futuro do trabalho, dos negócios e das cidades depende da qualidade da formação humana oferecida hoje.
A grande pergunta, portanto, não é apenas o que a inteligência artificial pode fazer. É o que nós, como sociedade, empresas, educadores e lideranças, estamos dispostos a preservar, fortalecer e humanizar enquanto a tecnologia avança.
Para empreendedores, líderes e marcas, essa reflexão é estratégica. Investir em educação, cultura e desenvolvimento humano não é apenas responsabilidade social. É uma escolha de futuro, reputação, inovação e impacto.
Perguntas frequentes sobre IA na educação pública
O que a IA não substitui na educação pública?
A IA pode apoiar processos, dados e pesquisas, mas não substitui vínculos humanos, escuta, criatividade, convivência, cultura, arte e o papel dos educadores na formação integral dos estudantes.
Qual foi o tema do painel da Parceiros da Educação Rio no Rio Innovation Week?
O painel discutiu “O que a IA não substitui: a força da escola, da cultura e da arte”, com reflexão sobre educação pública, criatividade, pensamento crítico e formação humana.
Por que cultura e arte são importantes na escola?
Cultura e arte ampliam repertório, fortalecem identidade, estimulam imaginação, melhoram a expressão dos alunos e ajudam na construção de uma educação mais sensível, crítica e inclusiva.
Como empresas podem contribuir com a educação pública?
Empresas podem apoiar projetos educacionais, formação de professores, infraestrutura, acesso a livros, tecnologia, saúde e ações culturais, contribuindo para impacto social e desenvolvimento de longo prazo.
A inteligência de dados pode ajudar escolas públicas?
Sim. Dados podem apoiar diagnósticos, acompanhamento pedagógico e decisões de gestão. No entanto, precisam ser usados com responsabilidade e sempre a serviço dos estudantes e educadores.





